Ter cá dentro um ser. Senti-lo mexer. Pensar na cor do cabelo, no rosto, no sorriso, na voz, na personalidade. Pensar se vamos estar à altura. Esquecer as medidas correctas. É a única vez na vida que se anseia por uma barriga visível: espetar orgulhosamente a barriga! E depois, no médico, ouvir o coração, perceber que aquilo que aparece no écran é uma mão, um pé, o rosto: vai ter o meu nariz.
Estar grávida. É falar literalmente para o umbigo (e saber que tudo gira à volta dele). É ser vista pelas outras mães com outros olhos, com outras palavras. É ouvir milhentas vezes: que venha com saúde e que seja uma hora pequena. É as outras mães darem a senha de entrada para um clube restrito.
Estar grávida é perceber o que só as mães sabem. Mesmo as que o são sem nunca engravidarem. Estar grávida é um estado de alma que se pode traduzir (ou não) num estado do corpo.
Estar grávida é querer desfrutar cada momento, cada segundo e, ao mesmo tempo, ansiar pelo fim, que será sempre o início. É ser dois em um, ou melhor, é estar dois em um, esperando ansiosamente até ao dia em que seremos finalmente dois. Para depois termos outras esperanças.
Não, não estou grávida. Este é um texto recuperado de há uns tempos atrás feito a pedido de um amigo/primo/pintor
Enfim, não tenho pretensões de escritora, nem de iluminada! É um blog singelo este para falar das minhas dores e dar descanso aos ouvintes de sempre. Aproveito e mostro também as cores do meu mundo....que a vida é das Dores e Cores.
15 março 2006
13 março 2006
09 março 2006
um dia
acordei e lembrei-me de ti. Das nossas coisas. Do nosso passado.
Um dia acordei e vi que envelheci
Um dia como os outros
Com as nuvens que já não são as nossas.
Mas que agora são as minhas.
Há dias carregados delas
E dias sem nenhuma
e dias que são noites
e tantas noites que foram dias
Um dia acordei e lembrei-me de ti
de todas as injustiças que cometi
de toda a compreensão que não tive
Das desculpas que não pedi
Um dia acordei e lembrei-me
que só percebi tudo isto
agora que também tenho uma filha
Um dia acordei e vi que envelheci
Um dia como os outros
Com as nuvens que já não são as nossas.
Mas que agora são as minhas.
Há dias carregados delas
E dias sem nenhuma
e dias que são noites
e tantas noites que foram dias
Um dia acordei e lembrei-me de ti
de todas as injustiças que cometi
de toda a compreensão que não tive
Das desculpas que não pedi
Um dia acordei e lembrei-me
que só percebi tudo isto
agora que também tenho uma filha
27 fevereiro 2006
A propósito
do post anterior lembrei-me desta música do Sérgio Godinho com Letra do Chico Buarque:
Um tempo que passou
Vou
uma vez mais
correr atrásde todo o meu tempo perdido
quem sabe, está guardado
num relógio escondido por quem
nem avalia o tempo que tem
Ou
alguém o achou
examinou
julgou um tempo sem sentido
quem sabe, foi usado
e está arrependido o ladrão
que andou vivendo com meu quinhão
Ou dorme num arquivo
um pedaço de vida
a vida, a vida que eu não gozei
eu não respirei
eu não existia
Mas eu estava vivo
vivo, vivo
o tempo escorreu
o tempo era meu
e apenas queria
haver de volta
cada minuto que passou sem mim
Sim
encontro enfim
iguais a mim
outras pessoas aturdidas
descubro que são muitas
as horas dessas vidas que estão
talvez postas em grande leilão
São
mais de um milhão
uma legião
um carrilhão de horas vivas
quem sabe, dobram juntas
as dores colectivas, quiçá
no canto mais pungente que há
Ou dançam numa torre
as nossas sobrevidas
vidas, vidas
a se encantar
a se combinar
em vidas futuras
Enquanto o vinho corre, corre, corre
morrem de rir
mas morrem de rir
naquelas alturas
pois sabem que não volta jamais
um tempo que passou
(Ou dançam numa torre...)
(Enquanto o vinho corre, corre, corre...)
Esta canção foi escrita a pensar nos tempos em que se está preso, recluso.....e eu nunca estive presa, nem a memórias...e ainda bem!
Um tempo que passou
Vou
uma vez mais
correr atrásde todo o meu tempo perdido
quem sabe, está guardado
num relógio escondido por quem
nem avalia o tempo que tem
Ou
alguém o achou
examinou
julgou um tempo sem sentido
quem sabe, foi usado
e está arrependido o ladrão
que andou vivendo com meu quinhão
Ou dorme num arquivo
um pedaço de vida
a vida, a vida que eu não gozei
eu não respirei
eu não existia
Mas eu estava vivo
vivo, vivo
o tempo escorreu
o tempo era meu
e apenas queria
haver de volta
cada minuto que passou sem mim
Sim
encontro enfim
iguais a mim
outras pessoas aturdidas
descubro que são muitas
as horas dessas vidas que estão
talvez postas em grande leilão
São
mais de um milhão
uma legião
um carrilhão de horas vivas
quem sabe, dobram juntas
as dores colectivas, quiçá
no canto mais pungente que há
Ou dançam numa torre
as nossas sobrevidas
vidas, vidas
a se encantar
a se combinar
em vidas futuras
Enquanto o vinho corre, corre, corre
morrem de rir
mas morrem de rir
naquelas alturas
pois sabem que não volta jamais
um tempo que passou
(Ou dançam numa torre...)
(Enquanto o vinho corre, corre, corre...)
Esta canção foi escrita a pensar nos tempos em que se está preso, recluso.....e eu nunca estive presa, nem a memórias...e ainda bem!
Carnaval
Há uns anos o meu Carnaval tinha um cheiro diferente. Eu tenho uma memória olfactiva e o Carnaval cheirava-me sempre a roupa guardada. O meu Carnaval cheirava a um misto de roupa guardada e a maquilhagem, cremes, sabor a batom na boca.
Todos os anos havia festa na escola e outras festas fora da escola.
Era uma agitação com os preparativos. Havia máscaras temáticas pelo grupo, mas também surpresas de última hora. Improvisos com creme nívea a fazer de gel/espuma modeladora no cabelo.
Gravatas e camisas do pai, coletes do avô. Ou então a bijutaria da mãe era sujeita a uma análise quase científica. O roupeiro dela também. Os sapatos sempre foram os meus, pois cedo ultrapassei os números pequenos das mulheres da família.
As festas eram em garagens, caves e adegas de casas de amigos devidamente decoradas para o efeito (leia-se carregadas de serpentinas e algumas máscaras nas paredes). Os amigos eram dos meus pais, e fazia-se grupos enormes com primos e amigos dos amigos. Iam vários carros, encontro marcado em casa dos meus pais para terminarem de se mascarar. Claro que as jovens adolescentes, como eu, iam para as festas dos velhotes porque iam também outras filhas e filhos de outros velhotes, amigos dos pais.
O meu Carnaval cheirava a cremes e maquilhagem e a roupa guardada. E significava quase sempre passar frio até começar a dançar (muito).
Com o tempo e a “emancipação” deixei-me dessas coisas, não só porque podia parecer totó por me divertir em festas com os meus cotas, mas também porque realmente conseguia encontrar outras coisas mais “giras” para fazer.
Hoje em dia não me parece que achasse lá muita piada a estas festas. Não me vejo a mascarar e a beber coca-cola numa garagem ou adega e muito menos a dançar: oh meu amigo charlie, oh meu amigo charlie brown…. Bom, agora que falo nisso….não sei....
Mas tenho saudades dos cheiros. Ok, provavelmente não será tanto do cheiro a mofo ou mesmo das “grandiosas” festas, mas da altura, da fase da minha vida, do tempo que passou.
Todos os anos havia festa na escola e outras festas fora da escola.
Era uma agitação com os preparativos. Havia máscaras temáticas pelo grupo, mas também surpresas de última hora. Improvisos com creme nívea a fazer de gel/espuma modeladora no cabelo.
Gravatas e camisas do pai, coletes do avô. Ou então a bijutaria da mãe era sujeita a uma análise quase científica. O roupeiro dela também. Os sapatos sempre foram os meus, pois cedo ultrapassei os números pequenos das mulheres da família.
As festas eram em garagens, caves e adegas de casas de amigos devidamente decoradas para o efeito (leia-se carregadas de serpentinas e algumas máscaras nas paredes). Os amigos eram dos meus pais, e fazia-se grupos enormes com primos e amigos dos amigos. Iam vários carros, encontro marcado em casa dos meus pais para terminarem de se mascarar. Claro que as jovens adolescentes, como eu, iam para as festas dos velhotes porque iam também outras filhas e filhos de outros velhotes, amigos dos pais.
O meu Carnaval cheirava a cremes e maquilhagem e a roupa guardada. E significava quase sempre passar frio até começar a dançar (muito).
Com o tempo e a “emancipação” deixei-me dessas coisas, não só porque podia parecer totó por me divertir em festas com os meus cotas, mas também porque realmente conseguia encontrar outras coisas mais “giras” para fazer.
Hoje em dia não me parece que achasse lá muita piada a estas festas. Não me vejo a mascarar e a beber coca-cola numa garagem ou adega e muito menos a dançar: oh meu amigo charlie, oh meu amigo charlie brown…. Bom, agora que falo nisso….não sei....
Mas tenho saudades dos cheiros. Ok, provavelmente não será tanto do cheiro a mofo ou mesmo das “grandiosas” festas, mas da altura, da fase da minha vida, do tempo que passou.
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