11 outubro 2008

Apanha, Recolhe, Verga-te,

Apanha, Recolhe, Verga-te, mais uma vez e uma e outra. Tu, a tua mãe, a mãe dela. A tristeza, a pobreza, a incerteza apenas mudou de lugar. Os rostos são outros (ou não), a lição a mesma. Na imensidão da solidão do campo, na imensidão da solidão da saudade. Cantas no campo, cantas na cidade. Se no campo não havia vivalma para te ouvir. Na cidade podem estar bem perto, mas os i-pods do coração impedem de ouvir. Os vidros duplos impedem de chegar os sons. Vidros duplos nos olhos, nas consciências, nos corações. Tempos passam e a inclinação é a mesma.....Apanha, Recolhe, Verga-te.

27 setembro 2008

e tantas vezes dou por mim a dizer isto:

Lisboa tem um vestido azul feito de
mar e guerra.

E cheira a laranjas maduras.

Quando as gaivotas trazem no bico
os primeiros pedaços de sol para acender o dia,
Lisboa deixa correr os cabelos pelo Tejo
e o povo pelas ruas.

À mesma hora, a coragem agita no sangue
duas grandes asas inquietas.

Por todas as janelas destruídas, já o mar entrou,
derrubando acácias,
cantando hinos de espuma

E porque toda a coragem é necessária,
toda a esperança é legítima.




joaquim pessoa, não me lembro o livro, nem o ano.....

Alexandre O'Neill

Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca,

Palavras de amor, de esperança,

De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto,

Palavras que se recusam

Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas

Entre palavras sem cor,

Esperadas, inesperadas

Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama

Letra a letra revelado

No mármore distraído,

No papel abandonado)

Palavras que nos transportam

Aonde a noite é mais forte,

Ao silêncio dos amantes


Poesias Completas 1951-1986