Ela que até gosta de sol nem reparava que o dia amanhecia lento e dengoso com os raios a surgirem. Há dias que nem repara se há sol ou chuva. Há dias assim. Há dias quem nem sabe o que almoçou. Há dias em piloto automático. Há demasiados dias assim.
Dias em que espera. Por alguma coisa. Não sabe o quê. Nem nunca saberá. Todos os dias em que abre o cortinado do quarto. Todos os dias que vê a rua e não vê as pessoas. Todos os dias que no autocarro, onde não há lugares sentados, não vê ninguém. Demasiados dias. Demasiadas pessoas. Demasiadas palavras. Demasiado para ela. Viveu anos em piloto automático. Anos assim, nasceram, cresceram, saíram de casa. Mudou cortinas, tapetes, quadros, toalhas, chão, pintou, lavou, escovou, cortou, cozinhou, carregou, arrumou. Em piloto automático. Em piloto automático levantava-se. Em piloto automático deitava-se. Os filhos foram feitos em piloto automático. Mas nesse dia, ao sair do autocarro, caiu. Caiu o piloto também. Viu que havia sol. Hoje há sol, disse quando se levantou e agradeceu o amparo do jovem que a ajudava. Chegou a casa e anunciou ao gato: hoje há sol. Há dias que não há sol. Hoje há sol. Foi à cozinha e não arrumou nem cozinhou, nem lavou, nem nada.
Foi ao quarto arrumou numa mala grande demasiadamente grande para toda a vida de roupa e arrumou. Dobrou. Arrumou. E quando ele chegou disse: hoje há sol nesta noite escura. Ele nem a ouviu. Procurou os chinelos. Procurou o roupão. Perguntou por eles. Ela disse estão na mala grande viagem, demasiadamente pequena para os raios perdidos de sol.
Enfim, não tenho pretensões de escritora, nem de iluminada! É um blog singelo este para falar das minhas dores e dar descanso aos ouvintes de sempre. Aproveito e mostro também as cores do meu mundo....que a vida é das Dores e Cores.
10 fevereiro 2010
30 novembro 2009
sempre que precisares
Sempre que precisares estarei aqui no meu canto, a ver-te crescer. A dar-te as armas do amor e da razão para te defenderes dos outros. Não, não são maus. São apenas outras pessoas que sem saber magoam o coração. Se precisares estarei aqui a ver-te brilhar nas ondas grandes de outros mares. Tenho bóias e salva-vidas para te atirar. Espero-te na praia com a toalha limpa. Se precisares estarei aqui no meu canto a ver-te dançar, numa rumba de ideias e ideais, estou aqui neste canto do salão para te aplaudir e amparar. Se precisares, e quando precisares voar vou-te ajudar a colocar as asas brilhantes. Se precisares estou aqui, no meu canto, enquanto cresces, voas, brilhas e danças. Se precisares também tenho um beijo para te dar, filha.
Natal
lá fora já se aproxima o frio dos dias quentes de coração. Os dias em que estamos juntos finalmente daqueles que nos conhecem a vida toda. Dos dias em que ainda há em alguns olhos ilusões de estórias antigas. Os dias em que se é mais solidário. Os dias em que devemos estar juntos. Lá fora já há luzes que fazem brilhar olhares. Lá fora estão os carros e o fumo que sai da boca quente das pessoas. Lá fora há sacos, embrulhos de pequenos sorrisos. Durante anos e anos que estes pequenos sorrisos enchem grandes corações. Lá fora tiram-se fotos com os velhos vestidos de vermelho. Com barbas tão brancas de algodão. Os embrulhos com as fitas que os unem e rodopiam laços bonitos para os olhos, laçarotes que alimentam lareiras de cores eternas. Lá fora brinda-se com o vinho que está na mesa da casa, finalmente, a casa. Com cheiro a fritos de sonhos. Fica-se com o açúcar nos dedos. Fica-se com o açúcar no olhar, no coração. Lá fora já está o Natal. Cá dentro ainda se espera pelo saco de água quente que se finge que aquece o coração.
20 outubro 2009
castanhas
São estes dias que nos fazem escrevinhar
Que nos fazem pensar e assim sentir.
São estes dias em que a chuva se apodera do coração e nos faz chover por dentro. Mas esta chuva também é boa. Já reparaste que a seguir a muita chuva, o dia fica mais claro, parece que limpa.
Por isso gosto que às vezes chova no coração. No meu, quando chove, a seguir vem a luz. A claridade. Ontem choveu no meu coração. Salpicou outros sítios também….os pulmões, deve ter sido, parecia que me custava respirar...inspirar, e acima de tudo, expirar.
Sabes, há dias assim, que nos fazem escrevinhar. Dias de espera, de expectativas, dias de Outono. O Outono é a espera do Inverno. A preparação para o frio. A espera, a transição. Quando o Outono chega às ideias, faz com que as palavras caiam como as folhas. Outras, as perenes, permanecem. Como as palavras. Sabes, às vezes há Outonos nos corações, nas ideias, nas palavras, nos olhares. Ontem e hoje fiquei com ele. Esta doce melancolia que me faz querer reviver palavras, folhas que caem, cheiros de Outono que permanecem. Mas o meu Outono é sempre cheio de toques de verão. Sabes, há dias assim, melancólicos, nostálgicos, com sabor àquela doce solidão. Àquela solidão que faz emergir um sorriso doce, quente e bom. Como as castanhas.
Que nos fazem pensar e assim sentir.
São estes dias em que a chuva se apodera do coração e nos faz chover por dentro. Mas esta chuva também é boa. Já reparaste que a seguir a muita chuva, o dia fica mais claro, parece que limpa.
Por isso gosto que às vezes chova no coração. No meu, quando chove, a seguir vem a luz. A claridade. Ontem choveu no meu coração. Salpicou outros sítios também….os pulmões, deve ter sido, parecia que me custava respirar...inspirar, e acima de tudo, expirar.
Sabes, há dias assim, que nos fazem escrevinhar. Dias de espera, de expectativas, dias de Outono. O Outono é a espera do Inverno. A preparação para o frio. A espera, a transição. Quando o Outono chega às ideias, faz com que as palavras caiam como as folhas. Outras, as perenes, permanecem. Como as palavras. Sabes, às vezes há Outonos nos corações, nas ideias, nas palavras, nos olhares. Ontem e hoje fiquei com ele. Esta doce melancolia que me faz querer reviver palavras, folhas que caem, cheiros de Outono que permanecem. Mas o meu Outono é sempre cheio de toques de verão. Sabes, há dias assim, melancólicos, nostálgicos, com sabor àquela doce solidão. Àquela solidão que faz emergir um sorriso doce, quente e bom. Como as castanhas.
11 setembro 2009
Eterno, Carlos Drummond de Andrade
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo,
mas com tamanha intensidade, que se petrifica,
e nenhuma força jamais o resgata!
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência.
Acenando o tempo todo,
mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é segui-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas,
ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber..
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta.
Ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma.
Sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém.
Saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou “como vai”?
Difícil é dizer "adeus".
Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois.
Amar e se entregar.
E aprender a dar valor somente a quem te ama.
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá...
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
mas com tamanha intensidade, que se petrifica,
e nenhuma força jamais o resgata!
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência.
Acenando o tempo todo,
mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é segui-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas,
ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber..
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta.
Ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma.
Sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém.
Saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou “como vai”?
Difícil é dizer "adeus".
Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois.
Amar e se entregar.
E aprender a dar valor somente a quem te ama.
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá...
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
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