24 outubro 2006

2 semanas

depois, apareço aqui para dizer que estou viva e de boa saúde.
Tenho os dias completos e as noites cheias de cansaço. A maior parte dos dias nem vejo a minha filha. Vão-se avolumando as (des)culpas de mãe ausente.
Procuro uma casa mais perto do(s) emprego(s). Procuro a qualidade de vida e cada vez que estou em minha casa, acho que só pode ser ali. Com o campo. Com os Vizinhos. Com aquela casa.
Procuro justificações em mim e para mim. Estou mais tempo com ela. Transmito estas supostas certezas a ele. Para ele se convencer que acredito mesmo nas razões de mudarmos para a cidade cinzenta.
Canso-me a justificar. Justifico-me com o cansaço. Esgoto as caixas de Kompensam para me ajudar a digerir o cansaço.
Mas estou bem. Muito bem. Prefiro isto a estar na casa que adoro com os dias a escorrerem pelos dedos. Isso não.

14 outubro 2006

só para dizer

que o blog não morreu, eu estou definitivamente sem tempo para cá vir. Nem sequer tenho ido aos outros blogs. Tenho por cuscar as férias alheias. Ver as fotos...pois há já imenso tempo.
Por outro lado, esta coisa de blog só tem sentido se for actualizado diariamente, ou vá, dia sim, dia não.
Mas não, desta vez não tenho vontade de acabar com isto. Tenho, sim, vontade de ter tempo para isto. Tenho tanto para dizer...

17 agosto 2006

quase

Sem saber, olhei para o céu e vi-te. Quase que te senti. Quase.
E é nestas alturas que me perco por ficar tão perto.

11 agosto 2006

Reformular

Falta-me coragem.
Se calhar não.
Falta-me convicção. Antes assim.
Falta-me convicção para me fazer perceber.
Para tu perceberes e acatares que o que digo é mesmo a sério.
Falta-me convicção naquilo que digo
e sinto.

Hinos...

No meio das conquistas, de disputas de fronteiras, imposições de crenças ou religiões, terrorismos e guerras, vem-me à memória a música batida:

Os Hinos

Os hinos são frutos perversos
crescendo no ramo dos versos
roubando o vento e a luz à folha
os hinos cegam quem os olha

Adoradores de sangue, sempre
os hinos bebem quem os cumpre
quantos sentidos tem a palavra
que o hino tomou por escrava

Beijou-me bem, matou-se a esmo
e o hino é sempre o mesmo
sempre o mesmo
beijou-me forte, matou-se feio
e o hino sempre de permeio

Choro por mim aos pés da forca
e o hino fala-me da dor que há
maior que a minha, melhor que a vida
e a morte vem despercebida

E se houver quem desta paz se farte
irmãos, irmãos, hinos à parte
lá vêm músicos, lá vêm letristas
divulgarão novas conquistas

Beijou-me bem, matou-se a esmo
e o hino é sempre o mesmo
sempre o mesmo
beijou-me forte, matou-se feio
e o hino sempre de permeio

Se cada igreja tem o seu sinos
e cada patria tem o seu hino
que fazem dentro das sepulturas
versos e sons e partituras?

Épicos de todo o mundo, uni-vos
fazei dos hinos pregões vivos
fazei dos hinos perdões aceites
em cama onde não durmas não te deites

Beijou-me bem, matou-se a esmo
e o hino é sempre o mesmo
sempre o mesmo
beijou-me forte, matou-se feio
e o hino sempre de permeio