26 Julho 2011

7 anos

comemorados ontem. Uma menina grande. Ontem foi o dia dos sorrisos, das gargalhadas, dos gritinhos, gritos e gritaria infernal. Que a alegria quer fugir pelas cordas vocais. Que a felicidade aparece em saltinhos. Um dia em cheio longe de mim, quando ao final da tarde chega, vinha com um sorriso enorme. A noite com meia duzia de gente foi plena. No sábado a festa grande. Pensada e preparada por ela. Dias e dias a pensar nos pratos, na decoração, nos convidados. Uma excitação desde que entrou nos mês do aniversário. Uma animação continuada dias a fios, porque a festa é no penúltimo dia do mês. Muita gente convidada, amigos, família, colegas de escola. Feita no melhor sítio do mundo para ela. Há um cartaz, feito por ela, que diz: não fique muito tempo no mesmo sítio porque as formigas picam. A festa da Carolina que já sabe ler e escrever, fazer contas no papel, nos dedos e de cabeça. A festa da Carolina que já entrou para a escola e que levava e trazia todos os dias na mochila a responsabilidade.
A Festa da Carolina que não gosta de Barbies, de princesas ou fadas. A festa que comemora os melhores 7 anos de sempre da minha vida porque são:
7 anos dela

02 Junho 2011

Dia da Criança

E cada vez que te olho, reparo em ti. Cada vez que te cheiro o cabelo, acalmo os pensamentos. Cada vez que te vejo dormir, sinto a força e a esperança. Força para continuar a viver o melhor de mim. A tentar ser uma melhor pessoa. Por ti. Para ti.
Espero que um dia percebas o que ainda não te posso contar, nem sei se irei contar. Espero que um dia sejas uma Mulher com M dos Grandes. Como tu já sabes: "a liberdade é respeitares os outros para te respeitares a ti, não é mãe? Isso é a liberdade".

A tua alegria é contagiante. As gargalhadas que só nós trocamos fazem-me acreditar em ti. Em nós. Penso em ti todos os dias. Orgulho-me de ti todos os dias. Desde o tempo em que nem te conhecia a cara. Não sabia que ias ter o meu nariz. Não calculava que irias ter as minhas covinhas. Sabemos os duas rir de nós. Sabemos as duas interromper o choro para desatar às gargalhadas depois do banho. Sabemos as duas que tu vais longe: bombeira, veterinária ou modelo. Tanto me faz. Só quero que sejas feliz. E sumo na vida da Carolindeza Maior...feliz dia da criança todos os dias...

10 Dezembro 2010

tanto mais


foste chegando devagar à minha vida. De repente já lá estavas. Já fazias falta quando não estavas. Já precisava de falar. De nada dizer. Só de saber que ali estavas. Uma amizade sem juízos de valor. Sem exigências. Sem recriminações. Uma amizade destas quer-se para a vida. Muitas gargalhadas, muitos sorrisos e algumas dores partilhadas. Que um amigo queremos perto. E a ti vou-te querer para sempre perto. Eternamente. Um amigo e tanto, mas tanto mais.

26 Novembro 2010

Sentença


às vezes as palavras não se juntam. Não se encontram. Andam na cabeça, no coração, às voltas e voltas e teimam em não se encontrarem. Muitas vezes não precisamos de muitas. Basta uma ou duas juntas, de mãos dadas. Essas, são as que às vezes menos dizemos. Custa às vezes encontrar um desculpa. Um Enganei-me. Se uma sozinha custa a sair, fica lá atrás de uma grande pedra, a espreitar, à espera que a puxe, a chame, diga vem. Muitas vezes sai sem mais nem porquê. Daquelas vezes que não interessa muito, ou não interessa tanto. Porque se a utilizamos interessa sempre, nem que seja um bocadinho. Se esta custa a sair, há outras, que por serem mais e precisarem de outras, demoram mais a sair. E quando saem apresentam-se tarde ao serviço. Muitos autocarros depois. São as palavras: Gosto de ti. Gosto muito de ti. Gosto tanto de ti. Há ainda outras, mais VIPS, que viajam sempre em executiva. São os adoro-tes, os Amo-tes, os Fazes-me falta e o preciso de ti. Estas são as palavras que não se juntam, mas que estão lá sempre. Escondidas nas outras, as fáceis, as que deslizam por todo lado. Aquelas que flutuam e fazem com que fale até ao infinito. Mas há umas que estão na gama das que nunca digo: Ajuda-me, estou mal.
Estas são as palavras proibidas, as presas, as detidas que nem com pulseira electrónica podem circular.
São as palavras surdas, chamo-as tantas vezes. Não ouvem, não vêem e não falam. Estão enclausuradas. Não são para sair.
Um dia, vou libertá-las. Abro as grades, só para ver como se dão, quando tiverem olhos, ouvidos e boca. Quando se puderem sentar à mesa comigo. Quando estiverem comigo de mãos dadas. Um dia, leio-lhes a sentença.

29 Abril 2010

Verde que te quero verde

Normalmente anda descalça na relva. É inevitável. É irrecusável. Faz lembrar a infância, a relva ao pé da casa da avó. Faz-lhe lembrar os vestidos de flores, as meias de renda. O sabor a nêsperas acabadas de apanhar. O cheiro a relva molhada é irresistível. Neste intervalo de almoço atreveu-se a sair e andar mais um pouco. Mais um pouco. Um relvado e um banco. Sentou-se no banco. Foi tirando devagar um sapato e depois o outro…os saltos já tinham um pouco de relva. Passeou por cima da relva um pé, depois outro. Finalmente levanta-se e caminha um pouco. O coração a acalmar, o sorriso da avó a voltar, as memórias a regressarem. Quase sentia o sabor a chocolate na boca. Quase sentia a calma da altura. Quase sentia. O sorriso voltou aos lábios. As mãos seguravam o cabelo. Olhou para o relógio e estava na hora de voltar para o escritório. Voltou com um sorriso, a colega que queria saber tudo disse: “Voltinha à hora de almoço? Há passarinho novo, parece-me”. E fez o que nunca tinha feito, respondeu: “Não, há relva antiga!” A colega que queria saber tudo não percebeu. Nunca iria saber que a menina Amélia tinha andado descalça na relva. Nunca iria perceber que a menina Amélia com quase 50 anos também já tinha sido mesmo mesmo menina. Já tinha tido avós. E que sabia sorrir, há muitos anos que não o fazia, mas sabia sorrir, quando as cócegas da relva lhe tocavam na alma.